Uma Estória curtinha de amor
Por: Manoel Paixão Barbosa
Local: Águas Lindas de Goiás
Uma estória curtinha
Com um casal se passou
Viveram as vidas juntas
O que mais admirou
Nunca se separaram
O que mais admirava
- um ao outro sem amor
Quando se conheceram
Estavam os dois jogados
Pelo caminho da vida
Ela era separada
Nas costas levava dois filhos
Não se sabe como aquilo
-Por acaso se encontraram
Surgiu uma amizade
Quase por uma razão
O rapaz era solteiro
Sem parente e sem irmão
Resolveram se juntar
Para a vida tentar
Uma boa união
Mesmo tendo ela dois filhos
Pequeno ainda de colo
O rapaz não se importou
Em carregar a sacola
Para ele um favor
Mesmo não tendo amor
-Juntou-se a corviola
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E o tempo foi passando
Viviam ate mais ou menos
Ela trabalhando em casa
Vendo os meninos crescendo
Ele um trabalhador
E nunca se importou
- do que tava acontecendo
Os amigos ou os visinhos
Para um ou o outro falavam
Da diferença de idade
Mas eles não se importavam
Morando em um barraco
As falas não tinham mal
Pra frente a vida empurravam
Um acordo foi firmado
Mesmo sem ser registrado
Os dois filhos não podiam
Ser com o dutor mal criado
E nem o dutor reagia
As birras ou as manias
Das brigas dos enteados
No tempo esta senhora
Morava na invasão
Em um barraco pequeno
Por causa da precisão
Mas por causa da pobreza
Ali não tinha tristezas
Era pura diversão
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La nos anos de 70
Houve baita confusão
Queriam tirar os moradores
Todos daquela invasão
Ninguém queria sair
Ficavam a resistir
Por uma boa razão.
As cidades se expandido
Para todos os lados
E os ricos não queriam
Pobre morando ao seu lado
Foi feito um levantamento
Então a qualquer momento
Eles seriam retirados
Escolheram uma fazenda
Grande e bem nivelada
Os topógrafos ali fizeram
Medição e separaram
Quadra por rua e lotes
O governo dando o bote
Para a fazenda os levava
Ate que belo dia
O alarme foi tocado
A primeira residência
Seria ali desmontada
E num grande caminhão
O povo da invasão
Para a fazenda foi levada
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E foi formada a Ceilândia
Bem no meio do serrado
De baixo de chuva e sol
Eram eles despejados
Para levantar o barraco
Ninguém tinha um trocado
Um desespero danado
Naquele terreno vasto
No chão vermelho batido
Areia, poeira e vento.
Sem arvores, desprotegidos.
Todos eles misturados
Solteiro, velhos ou casados.
Era muito do sofrido!
Ainda não tinha água
Traziam em carro pipa
Formava uma fila grande
E no meio tinha briga
Por uma lata de água
Quase tudo ali faltava
Quem tava lá que o diga
Ainda não dera tempo
De montar supermercado
As vendinhas improvisadas
Eram muito disputadas
Mercadoria eram poucas
Uma cidade de loucos
Mas era ate engraçado.
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Quando chovia era lama
Quando secava era poeira
Cavar poço não podia
Era a maior canseira
Para banhar e lavar
Só sabe quem tava lá
Verdade não é asneira!
Devagarzinho Ceilândia
Ia se desenvolvendo
As casas sendo construídas
As quadras aparecendo
Água sendo encanada
A energia era rara
Mais pouco estava se vendo
Veio os primeiros asfaltos
Pelas vias principais
As ruas esburacadas
E os coliformes fecais
Boiavam em cima das águas
Pelas ruas, e os quintais!
Pioneira uma empresa
De transporte coletivo
Começou ali a rodar
Velando os indivíduos
Para o local de trabalho
Ruim ou bom nada falo
Não tive nada com aquilo!
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Começou surgir mercado
Farmácia, açougue e boteco.
Madeireira que vendia
Da tenha ate o prego
Areia saibro e cimento
Carregada em jumento
Na carroça com a égua!
No começo era difícil
Ate para se andar
Precisava de um barbante
Para na porta amarrar
Quando saísse na rua
A volta era tão crua
Podia se perder por lá
Fizeram um chafariz
Quase mesmo no centro
De todos os lados
Para buscar água vinha gente
Passamos dificuldade
O progresso da cidade
Ia vir brevemente!
Começou tudo a mudar
Somente com um edital
Para ser realizada
No Distrito Federal
A primeira eleição
Causa de admiração
Para a nova capital!
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Foi grande o reboliço
No colégio eleitoral
Pra escolher candidato
Foi aquele festival
Tinha gente ate de sobra
Filho, genro, neto e sogra.
Queriam ver o cacau!
Mais era o cacau de cifrão
Quando pose eles tomassem
Aquela casa é boa
Qualquer um que adentrasse
Aquela casa tão rica
E melhorava de vida
Mesmo que não enricasse
A estória é de amor
Mais é importante frisar
Estes dados de Ceilândia
Para poder encaixar
Como e onde se passou
Este caso que marcou
Aos que ouvirem contar.
Voltamos agora ao assunto
No começo citado
O Romeu e Julieta
Estavam muito empenhados
Em criar os dois meninos
Conforme o seu destino
Tinha a eles reservado.
A mais velha estudando
Para ser alguém na vida
Na escola do governo
Não sendo boa lhe digo
Mais a pessoa é quem faz
O teado que lhes traz
O motivo da cobiça
O segundo que era menino
Não era de estudar
Começou cedo na vida
No caminho errado andar
Mais era trabalhador
Depois de velho consertou
Não dar nem para reclamar
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Não sabemos bem o motivo
De algo acontecer
O Romeu desta estória
Começou muito a beber
Mais sem causar prejuízo
Mais incomodava os filhos
Mesmo filho dele não ser!
Ate que veio a surpresa
Julieta engravidou
Daquilo veio um menino
Um pouco amenizou
Mas começou uma discórdia
E a carga ficou torta
Mesmo assim não virou.
Sete anos se passaram
Ai veio uma menina
Por sinal muito querida
Ai a causa se anima
Aquele casal idoso
Sofrido, bravo teimoso.
Fez festa com serpentina!

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